Sonhos não envelhecem jamais.
Tive o privilégio de conhecer Geraldo Décourt num torneio organizado pela UBO em nosso antigo clube – Abrevb – em homenagem ao grande criador dessa nossa paixão. Faz mais de uma década, mas tenho nitidez daquele dia na memória. Eu era apenas um “garotão”, mas estava ali, diante do grande patrono do Futebol de Mesa.
Deparei-me com um homem já no inverno da vida, enfermo, atrelado a uma cadeira de rodas... mas seus olhos, esses não... Seus olhos irradiavam o mesmo brilho, a mesma paixão do menino que um dia sonhou com o futebol de botão.
Lá estava ele, entusiasmado, deliciando-se com aquela homenagem, feliz, contente, vendo que a brincadeira a que dera início já se mostrava uma realidade estabelecida, uma paixão que contaminara muitos corações. Dizem que até furacões começam pequenos e o nosso esporte também começou assim, pequeno, minúsculo na realidade; imenso, porém, nos labirintos da imaginação de um homem.
Devemos muito a Geraldo Décourt, ele deu os primeiros passos de uma jornada que está longe de terminar, de algo que está longe de ocupar o lugar e o espaço que merece. Jornada esta que depende de nós, de nossos passos, das nossas pegadas. Temos o dever de zelar pelo sonho dele, pois é um sonho comum, uma paixão de todos os botonistas. Somos nós os responsáveis pela perpetuação desse esporte.
Precisamos passar tudo isso adiante, manter vivo o fascínio, o amor por essa emoção de feltro e acrílico, como um legado genuíno, um verdadeiro cetro a ser brandido por novos seguidores. Exatamente como fez nosso patrono.
Necessária se faz a generosidade, a comunhão, a gentileza da paciência, tudo para engrossar nossas fileiras de jogadores. Tudo para atrair e cativar novos amantes.
O bom mestre é aquele que forma discípulos melhores do que ele.
Façamos isso, então. Eu por exemplo, sou um jogador “nota 2”, mas já tive o prazer de participar da “formação botonística” de jogadores excepcionais, isso quando mal sabiam segurar a “batedeira”. Confesso que essa sensação é extraordinária. Um orgulho que emociona em silêncio.
Tal qual o do operário que, diante de um arranha-céu fabuloso, sabe – sem precisar alardear a ninguém – que vários daqueles tijolos, foi ele quem assentou, que sua alma está ali. Sozinhos, somos apenas um tijolo que nada edifica, que nada constrói...
Ser grande nesse esporte não significa somente ser o maior goleador de todos, o super colecionador de troféus... é mais do que isso. Ser grande nesse esporte é zelar para que ele permaneça vivo quando não mais estivermos por aqui.
Quem sabe – num futuro ainda muito distante, já no inverno da vida – possamos vislumbrar com alegria que o esporte não morreu, que conquistou a dimensão merecida, que a jornada prossegue por uma nova geração de praticantes apaixonados, jogando pelo mundo, vibrando, sorrindo, chorando, curtindo, vivendo o Futebol de Mesa.
Deus nos permita enxergar a tudo isso com o mesmo brilho no olhar, a mesma paixão que detectei naquele dia distante, no grande Geraldo Décourt.
Afinal, sonhos não envelhecem jamais
Texto extraido do site
www.ubo.com.brCapelli descordamos de você, nota 2 jamais, você é um craque principalmente fora das mesas, parabens pelas palavras, emocionaram a mim, que me permiti copiar e colocar aqui neste espaço, e vai emocionar também a todo aquele que ama o esporte, afinal ja diria a canção, os sonhos não envelhecem.