Nosso esporte é resultado. O que importa é bola na rede. Chutadores-Goleadores são, normalmente, os grandes vencedores em competições oficias.
Mas, como é bom ver um jogo bonito.
Como é bom ver um “tocador” de primeira.
É como comparar o futebol de hoje – altamente aeróbio, quase uma prova de atletismo – e o futebol do passado – onde um drible genial era tão aguardado e festejado quanto um gol.
Quem viu Garrincha jogar sabia que seus dribles eram sempre iguais e para o mesmo lado, mas a cada repetição parecia uma novidade, como um truque de magia, sempre igual e sempre inédito (apesar da aparente contradição...).
Canhoteiro – que jogou no São Paulo – também fazia milagres com a bola em cima da linha lateral. Controle incrível, técnica impecável, criatividade, habilidade...
Maradona também impressionava pelo que fazia com a bola, era gênio, apesar de ser Argentino...
E o elástico do Rivelino? Que velocidade impressionante! Pai do céu, por onde passava a bola?!
Sem contar o “míssel teleguiado” que tinha no pé esquerdo.
Como esquecer de Ademir da Guia?
Craque, elegante, maestro. Aquele que ainda hoje faz alguns Palestrinos soluçar de saudade.
E o que falar de Pelé?
O “Maior de Todos” fez coisas inacreditáveis, dribles geniais e improvisados pela necessidade do momento, velocidade, impulsão, força, categoria, gols antológicos; e era tão fantástico com a bola nos pés, que até alguns de seus gols perdidos são considerados lances históricos do esporte até hoje; e pra sempre serão.
Alguns continuaram com esse legado no futebol contemporâneo (guardadas as devidas e nítidas proporções), jogadores como: Zidane, Ronaldinho, Robinho, Messi, Cristiano Ronaldo...
Mas a dinâmica do futebol de hoje é outra. Se o craque driblar mais de dois, é quase certo que sofrerá uma falta, violenta muitas vezes, desleal quase sempre.
Toda essa magia que se perde no tempo e nos campos ainda sobrevive entre mesas e botões. Já vi tantos caras geniais com as palhetas que seria demais elencar, mas impossível esquecer.
Sempre fazendo jogadas inacreditáveis, dribles precisos, passagens milimétricas por defesas bem postadas, chutes cirurgicamente colocados, capazes de tornar insignificante a presença do goleiro...
Esse é o encanto do futebol que não deixamos morrer em nosso microcosmo de madeira aglomerada.
Um jogador que domina a técnica do toque de bola sempre tem opção, nunca se depara com uma bola perdida. Pode tudo. É imprevisível, mortal.
Aqueles que conjugam precisamente o binômio “toque e chute”, são os jogadores mais difíceis de enfrentar, são caras que jogam sem padrão definido, sem mecanicidade. Fazem qualquer jogada, passam por qualquer lugar, chutam de todas as posições, encantam os amantes do futebol arte, amolecem o coração de adversários eventualmente derrotados.
Apesar da supremacia mental, emocional e mecânica do nosso esporte em moldes competitivos, como é bacana notar um jogador que não dispensa a plástica do jogo, que sempre busca a jogada de efeito, o gol bonito.
Esse é o tipo de jogo que me encanta, esse é o jogador que gosto de ver jogar. Muitos precisam da truculência pra ganhar, outros tantos precisam da “catimba” pra subjugar o adversário, outros conseguem vencer simplesmente pelo talento.
É como no futebol de campo. Alguns times ganham e perdem na base da porrada, mas o que encantou os nostálgicos torcedores do passado é o que encanta os apreciadores do bom futebol de mesa de hoje... O que encanta é a habilidade, traduzida no controle absoluto das ações dos botões e movimentos da bola.
O futebol arte ainda não morreu, não pelos próximos vinte minutos...
E se minhas bênçãos servirem, por “vinte minutos” sem fim.
Capelli, é botonista, advogado, boa praça, e dono da palavra facil
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