Querido Duda
Acho desnecessário dizer aqui do meu carinho por você!
Considero-lhe uma das melhores pessoas do Futmesa, gente finíssima, boa praça, querido por TODO MUNDO, alguém que demonstra ter o caráter de falar pela frente.
Desta forma, não poderia deixar de responder a um texto seu cogitando meu clube, mesmo sem ter a autoridade para falar em nome do Fundação.
Escrevo por ser amigo do colunista, é a minha única credencial!
Apenas por amor ao debate, deixo claro que não recebemos nenhuma das “insistentes tentativas” em nos contatar, isso sim posso falar em nome do Brambilla, mesmo sem ter perguntado a ele, pois ele é homem o bastante de não deixar pergunta sem resposta e conheço muito bem o meu líder pra dizer isso, pois são vinte anos de convivência, não vinte dias!
Não temos medo de responder nada, pois aqui não tem moleque, pode ficar tranquilo!
Mesmo assim, vamos aos fatos:
O Fundação realmente pecou em sua última apresentação pelo Equipes.
Podem ter certeza que isso tudo nos causou um desconforto muito grande, principalmente ao Brambilla.
Ainda mais porque nesse ano completamos 20 anos de vida!
Lamentamos mesmo o ocorrido, ficamos envergonhados por isso.
Tudo pela falta de jogadores que se comprometeram e que na hora “H”, por motivos relevantes ou não, deixaram de comparecer – INCLUSIVE ESTE QUE VOS ESCREVE.
Falhei, errei, faltei, mas assumo minha falta e respondo por ela.
Todavia, isso é um fato que será resolvido internamente no Fundação, como devem ser resolvidos os assuntos pertinentes exclusivamente a cada clube.
Mesmo porque, como você mesmo apontou com cirúrgica precisão, jogar com 4 jogadores não se trata de falta punível pelos regulamentos da Federação.
Assim sendo, não devemos satisfações efetivas a ninguém por se tratar de medida que atende ao nosso livre arbítrio enquanto agremiação.
Diferentemente de jogar sem o uniforme, por exemplo, que se trata sim de falta punível pelo regulamento.
Ora, se não cometemos, do ponto de vista formal, falta que mereça punição perante os regulamentos da federação, porque a indignação veemente e pública do amigo com assuntos internos do Fundação?
Porque não mereceu um texto igualmente crítico e austero o fato de o Maria Zélia ter jogado contra o Círculo sem uniforme padronizado,
considerando que aí sim estamos diante de falta passível de punição efetiva e prevista no Regulamento?
Será que é diferente escrever para bater no Fundação, ou no Maria Zélia ou Círculo, ou Palmeiras?
Será que seria pelo fato de o Fundação ser visto por muitos como um time de menor importância?
Espero que não, pois quem pensa assim nunca prestou atenção na história do Futmesa em SP, é míope e não sabe que temos vinte anos de vida formando jogadores, trabalhando na base, sediando eventos, duplicando o esporte.
Quantos times formaram tantos novos jogadores quanto nós?
Quantos de nossos pupilos engrossam fileiras em outras agremiações?
Temos duas décadas de trabalho no futmesa e nunca participamos de nenhuma maracutaia relacionada ao nosso esporte.
Sem querer ofender, mas acho que a “preocupação” com o fato de o Fundação ter ido jogar com 4 jogadores só se dá pelo fato de termos nesse ano um campeonato disputadíssimo, que poderá ser decidido por saldo e etc...
Desta forma, novamente notamos a preocupação de ocasião, que visa proteger os interesses do seu clube (sempre um dos favoritos ao título) e não do esporte.
Repito, se fizemos algo errado, corrigiremos.
Se cometemos alguma falta prevista no Regulamento, que sejamos punidos, então!
Caso contrário e muito respeitosamente, digo:
Problemas do Fundação, serão resolvidos pelo e no Fundação - e por mais ninguém.
Sou muito amigável para receber críticas, mas também não apanho calado e nunca fui de correr...
O Fundação pode ser o pior lugar do mundo na opinião de muitos, mas é o meu lugar há vinte anos e se eu tiver que sair na porrada por isso, não vejo problema nenhum, MESMO.
Pena que a mesma indignação veemente não brote no coração de nossos pares para assuntos mais e realmente importantes para o esporte, do que uma falha pontual de um clube que ostenta farto histórico de relevantes serviços prestados ao esporte, como o Fundação.
Aliás, peço prudência aos amigos do Futmesa quando forem “massacrar em críticas” os ditos pequenos... lembrem-se que são eles que sediam os eventos, que carregam as mesas para que os “grandes” possam jogar e ainda estão sempre disponíveis para ouvir críticas depois de trabalhar de graça pelos grandes e bons...
Prudência amigos, pois quem renova o esporte são os pequenos, pois os ditos grandes contam basicamente com os mesmos plantéis que já conhecia em 1991, quando comecei a jogar. Estão tão preocupados em perpetuar sua supremacia em conquistas e títulos que o trabalho de base é quase inexistente (salvo raras e recentes exceções... Ainda bem!).
Tanto é que, quando precisam de novos jogadores, muitos clubes “vem ao Fundação buscar jovens talentos”, em alguns casos, levam nossos times inteiros para poder ganhar uma “medalinha”.
Será que alguém se lembra disso quando arrebenta em críticas com o Fundação, ou quando bate no peito para se vangloriar em jogar num time grande?
Duda, peço perdão pelo desabafo, é evidente que não é você o destinatário de todas as minhas indagações, mas é certo que só você me deu essa oportunidade para faze-lo, pela coragem de ter escrito o que você escreveu, coisa que desde já agradeço e muito.
Por fim, só quero deixar claro que não somos críticos de ocasião ou conveniência, somos críticos sempre, seja qual for a gestão, seja quem for o Presidente, pois nós temos AUTORIDADE MORAL para criticar as falhas da entidade que mantemos, status que conquistamos nas últimas décadas e que não devemos perder por termos ido a UM jogo com 4 jogadores - já que, mesmo sendo inglório para nós, temos o direito de fazer por assim permitir o regulamento, sendo de nossa exclusiva e privativa responsabilidade as conseqüências por tal fato.
Isso é diferente de estar acima do bem e do mal, pois aceitamos as críticas por nossas faltas, desde que sejam contempladas pela norma pertinente. Ou seja, enquanto a lei não disser que cometemos uma falta, não importa se os outros acham que cometemos... pois, quando criticamos, temos esse cuidado.
Na próxima Assembléia, fica a sugestão, votemos para que isso (jogar com 4 jogadores...) seja tido como falta grave e com punição prevista e aprovada... aí sim, diante da norma aprovada, vigente e da falta cometida POSTERIORMENTE, poderemos ser responsabilizados e punidos; ocasião em que, elegantemente, enfiaremos nossos respectivos rabos no meio das pernas e aceitaremos críticas e punições de cabeça erguida... até lá, guardem suas opiniões para quem as pedir.
Briguem pelo que infringe efetivamente o regulamento, sejam inconformados com o que fere as regras e tem punição prevista e não observada, pois isso sim é válido, plausível e evita a famigerada impunidade.
Não cometemos crime algum, pois enfatizo ao amigo que, para que seja cometido um crime, faz-se necessária legislação anterior que o preveja e indique punição.
Caso contrário, estaríamos agindo de forma autoritária, antidemocrática, permitindo regras e Tribunais de exceção, como vimos na Inquisição, como vemos nas ditaduras e que servem para condenar, punir e eliminar tudo que lhes desagrada, seja ou não previsto em lei, sempre de acordo com a conveniência do momento, ou dos interesses e poderes postos.
Não façam isso com o Fundação – pois eu não permito.
E não façam isso com suas biografias, já que essa postura denota pouco apreço pela Legalidade, pela Liberdade, pela Democracia e pela Justiça.
Abração do amigo
Cappelli
FPFM 994
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