O texto que você passa a ler agora, longe de tentar enfatizar qualquer conteúdo científico, propõe-se apenas a enfocar de forma um pouco mais aprofundada uma questão que, de alguma maneira, já foi pensada por você em algum momento de sua prática no futebol de mesa.
Como professor de filosofia sou muitas vezes seduzido pelo convite, que me é feito pela própria consciência, de analisar as coisas sob um ponto de vista um pouco mais crítico. Com o futebol de mesa não é diferente e tenho, com frequência, pensado no ato de “jogar botão” muito além do seu aspecto mais óbvio que é o lúdico.
Inicialmente é possível crer que trata-se de mais um jogo e como tal sua finalidade primordial é desafiar o acaso e propiciar entretenimento. No entanto, no futebol de mesa é possível, com sensibilidade, é verdade, constatar aspectos que excedem o âmbito do acaso e do simples entretenimento.
Poderíamos iniciar esta pequena e breve análise por alguns caminhos, como por exemplo a escolha do time, que em geral traz em si com frequência histórias extremamente interessantes; mas gostaria aqui de me ater especialmente aos aspectos estruturais e estratégicos do jogo.
Numa ocasião qualquer no Cisplatina ouvi alguém dizer: “botão requer mais paciência que bilhar”. Não sou um jogador de bilhar, portanto, não sou capaz de mensurar o nível de paciência que tal jogo requer, mas posso falar um pouco sobre o “futmesa”.
A ansiedade talvez seja a maior inimiga de todo praticante do futebol de mesa; destruidora absoluta da boa estratégia, ela, que na sociedade moderna é quase um estado de espírito, deve ser trabalhada muito seriamente pelo botonista.
Nenhuma tática ou estratégia resiste ao peso que a ansiedade exerce no campo de jogo. Nesse sentido o futebol de mesa se compara aos jogos mais refinados e reflexivos que temos, como o xadrex por exemplo, que de certa forma é “elitizado” por requerer um nível razoável de inteligência por parte do seu praticante.Calcular calmamente a força e o espaço futuro que o botão deverá ocupar, assim como prever o comportamento do adversário, são algumas das boas
características dos bons jogadores. Podemos reconhecer então que “terapeuticamente” falando o futebol de mesa é, porque não, um forte aliado às técnicas moderadoras do stress causado pela ansiedade e pelo caos da vida moderna, uma vez que, a exemplo dos mais complexos jogos estratégicos, requer também uma certa frieza e uma estabilidade racional, um equilíbrio nas ações que em muito se assemelham às estratégias da própria vida.
Se partirmos do pressuposto de que todo botonista (por mais iniciante ou amador que seja) nutre um desejo razoável de vencer, a necessidade de controlar seu nível de ansiedade se torna um fator preponderante na consecução de tal objetivo.
Quando o jogo “entra na veia”, como gosta de frisar nosso amigo Júlio Simi; quando passa a fazer parte da vida é que podemos perceber seu valor terapêutico, pois, quando menos percebemos nos encontramos no controle de situações que antes da prática do jogo poderiam estar sob o jugo da ansiedade e todos os seus desdobramentos.
Equilíbrio entre razão e paixão é extremamente necessário; devemos lembrar que a palavra paixão vem do grego PATHOS , que pode ser traduzida como uma espécie de doença ou estado febril (quase delirante) que nos afasta do equilíbrio racional e da sensatez . A ansiedade, então, é um sentimento que colabora para a composição desse estado febril e pat(h)ológico.
Logicamente tudo o que procuramos expor aqui possui um caráter totalmente empírico, não há fundamento científico algum, assim, que fique claro que trata-se apenas de uma simples reflexão, trata-se da deliciosa “tarefa” de pensar o jogo.
Edison “Russo”
Botonista do Cisplatina e do Villa Botão
Professor de Filosofia
Academico da Aclimação
e Boemio nato
23 abril 2008
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Nem li mas tenho certeza que é um lixo.
Barthez
Edison,
Belo post!
Apenas se me permite comentar, devido ao vosso texto não se tratar de uma conclusão, quer científica ou não, acrescento que a vossa análise sugere uma visão unilateral de paixão pelo jogo como mecanismo de moderação do estresse.
O outro lado que menciono é apaixonado também, creio que até mais entregue ao sentido da palavra “Patho”, pois dispõe de mecanismos que podem causar o sentimento inverso aos adversários, em prol do objetivo próprio. O efeito desse apaixonado sobre outras pessoas é tão intenso que até a lembrança do nome, que remete a algum jogo vivenciado, ou alguma história contada, causa as mais diversas manifestações de apaixonados pelo esporte.
Edison,
Belo post!
Apenas se me permite comentar, devido ao vosso texto não se tratar de uma conclusão, quer científica ou não, acrescento que a vossa análise sugere uma visão unilateral de paixão pelo jogo como mecanismo de moderação do estresse.
O outro lado que menciono é apaixonado também, creio que até mais entregue ao sentido da palavra “Patho”, pois dispõe de mecanismos que podem causar o sentimento inverso aos adversários, em prol do objetivo próprio. O efeito desse apaixonado sobre outras pessoas é tão intenso que até a lembrança do nome, que remete a algum jogo vivenciado, ou alguma história contada, causa as mais diversas manifestações de apaixonados pelo esporte, que podem tornar a paixão em estresse puro.
Forte abraço!