Antes da fundação da AUFM, ainda em 1994, os poucos botonistas de Ubatuba que disputavam a antiga Soccer Cup (conhecida depois como Campeonato Brasileiro e, mais tarde, Taça de Ouro), disputavam torneios na varanda de Luciano Caliani, em apenas uma mesa tipo "estrelão", com bolinha tipo "pastilha" e com a regra caiçara.
A regra era bastante parecida com a atual 12 toques, mas com algumas particularidades. A mais "bizarra" delas foi a instituição do "mando de música", no final de 1994.
Como, na época, a regra caiçara possibilitava aos botonistas disputarem partidas "narrando" suas jogadas (o que nunca causou problemas, já que eram todos amigos), o hoje tão valorizado silêncio durante um jogo, não existia nos torneios em questão. Os botonistas narravam suas jogadas, tal qual um locutor de TV, e comemoravam efusivamente seus gols. As partidas tinham juiz e, as vezes, até bandeirinha, que, vejam só, tornavam-se "comentaristas" dos lances de gol.
Como todos os torneios eram disputados na mesa de Luciano Caliani, os demais participantes começaram a sugerir regras que diminuíssem uma suposta vantagem dele por jogar sempre "em casa". Assim, surgiram as regras que previam a escolha de campo ou bola do mandante de jogo (e não via sorteio), da obrigatoriedade de trocar de time quando as cores confundissem (o "visitante" tinha que trocar), e por aí vai. As tabelas eram sempre feitas em 2 turnos para que todos se enfrentassem "em casa e fora", inclusive nas finais.
Assim, em 1994, após um leve desentendimento entre dois botonistas sobre qual música deveria tocar no aparelho de som que ficava na varanda e fornecia o "som ambiente" que acompanhava os torneios, foi criado o "mando de música", que permitia ao mandante da partida escolher o que deveria tocar durante o jogo em que ele era o "dono da casa".
Enquanto a regra vigorou (cerca de 3 meses), uma autêntica "guerra" foi travada no aparelho de som de Luciano. Os botonistas descobriram quais estilos, bandas e cantores eram "odiados" pelos outros e providenciaram CDs e fitas K7 com um repertório feito sob medida para fazer subir a pulsação dos adversários durante as partidas. Todos os gêneros musicais foram tocados durante esse período, que culminou com a ópera "Nabucco", de Giuseppi Verdi, sendo entoada no segundo jogo da finalíssima da 8ª Taça de Ouro, cujo mando de jogo pertencia a Ralph Solera, contra Luciano Caliani.
Antes que o mando de música virasse motivo de brigas, já que o nível das "obras" tocadas caía consideravelmente, a regra foi revogada e ficou proibida a execução de música durante as partidas.
Ralph Solera
30 janeiro 2009
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Anônimo uma ova...
PAULINHO MEIRA DISSE:
Ô Meu Amigo Ralph...
O quê que é isso ??
Deixe as músicas...
Elas são uma das maravilhas da vida...
Deixar rolar o som...
Deixa rolar as narrações,
As comemorações...
Deixe o espírito criança graçar no esporte...
Como diria um colega nosso:
"ESSA É A ALEGRIA DO FUTEBOL DE MESA"
Abraços !!
Paulinho Meira